Toda esta história da demissão de Dorival Júnior na noite desta segunda-feira (22) ainda parece mal contada. A explicação mais simples seria, talvez, de que um técnico que puniu de forma excessiva a grande estrela do clube acabou caindo diante da soberana decisão da diretoria.
Mas prefiro destacar a questão que já está sendo debatida há semanas: o comportamento de Neymar.
Depois de um primeiro semestre perfeito do Santos e do clamor nacional para que os meninos da Vila estivessem no grupo dos 23 convocados para a copa, Neymar gerou uma rendição da imprensa e dos torcedores brasileiros ao seu talento com a bola nos pés. Mas o comportamento do garoto, irreverente de forma exagerada, às vezes abusada, gerou polêmica e um discurso repetido de que era preciso entender a pouca idade do ‘garoto’.
O que eu não entendo é que esta história de jogador jovem talentoso no mundo do futebol não é nenhuma novidade. Ao contrário, a todo momento surgem promessas ou potenciais craques que rapidamente estouram e recebem propostas milionárias da Europa. Agora um futuro astro que arruma confusão no final de um jogo porque está ‘apanhando demais’ dos marcadores ou xinga o capitão e o técnico do seu time na partida seguinte porque não foi escolhido para bater um pênalti só aparece de vez em quando.
Por isso, tenho dito que Neymar não tem, em nada, úma história diferente de Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho e outros tantos que começaram a encantar cedo, mas não eram isentos das peripécias em campo e fora dele em razão da pouca idade. Pelo menos no início de suas carreiras, eles eram mais discretos.
Com a demissão de Dorival Júnior, o Santos mostra que Neymar é sempre perdoado pelo excesso de talento, mas o clube esquece que só a habilidade não basta. Vide o também santista Robinho, que foi para o Real Madrid em 2004, com certeza de que seria o melhor do mundo. Depois de passar pela reserva do Manchester City, precisou voltar ao Brasil para não ser esquecido. E agora, mais uma vez, vai para a reserva, desta vez do Milan.
E a queda do técnico santista confirma mais uma mentira do futebol: quem escala o time é o técnico.
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